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Copilot Studio em 2026: cinco novidades que a sua PME já pode usar

Fernando Rabello Fernando Rabello · 05 de agosto de 2026 · 11 min de leitura

Resumo

As novidades de 2026 do Copilot Studio, o que cada uma muda na rotina da PME, quanto custa em créditos do Copilot e o que precisa estar pronto antes de ligar o primeiro agente.

No artigo anterior desta série, mostramos o que é o Copilot Studio e por que ele importa para a sua PME. De lá para cá, a plataforma não parou: a Microsoft publicou novidade todo mês, e boa parte delas responde exatamente às dúvidas de quem está decidindo agora.

Este texto reúne cinco dessas novidades, escolhidas por um critério simples: o que muda de verdade na rotina de uma pequena ou média empresa. Depois delas vêm as duas perguntas que todo decisor faz e que quase nenhum conteúdo responde, quanto isso custa e o que precisa estar pronto antes de ligar o primeiro agente.

Skills: ensine uma vez, use em todos os agentes

Uma skill é uma capacidade reutilizável do agente: um nome, uma descrição e um conjunto de instruções em Markdown que ensinam a executar bem uma tarefa específica. O padrão de proposta comercial da casa, o passo a passo da triagem de um chamado, a regra de cálculo de um orçamento. Quando o pedido do usuário casa com a descrição da skill, o motor de orquestração a ativa sozinho.

A diferença em relação a uma instrução solta é a portabilidade. Você cria a skill uma vez, adiciona em quantos agentes quiser e exporta como arquivo Markdown ou como pacote ZIP, que pode levar junto scripts, modelos e documentos de apoio.

Para a PME, isso resolve um problema clássico. O conhecimento do processo saía da cabeça de uma pessoa e ia para o agente, mas ficava preso naquele agente. Com skills, o padrão de trabalho vira ativo da empresa, aplicado de forma consistente em todos os assistentes.

Workflows: automação com raciocínio em cada etapa

Além dos agentes, o Copilot Studio ganhou os workflows: automações desenhadas em um editor visual em que cada etapa pode raciocinar e agir, combinando agentes, ferramentas e lógica num fluxo só. Você descreve a automação que precisa e a plataforma ajuda a gerar, configurar e validar o fluxo de ponta a ponta. Partir de uma conversa, descrevendo o objetivo de negócio para a plataforma montar a combinação de agentes e fluxos, é recurso em versão prévia.

Dois detalhes importam para quem opera. Os workflows trazem teste embutido e pontos de parada para decisão humana: a automação anda sozinha, mas quem libera o passo crítico é uma pessoa. Em versão prévia, uma ação de solicitação de informação chega a pausar o fluxo, pedir o dado a um revisor pelo Outlook e seguir com a resposta dele.

E o processo longo deixou de esbarrar no relógio. Nos fluxos de agente, as respostas assíncronas permitem que a execução ultrapasse o limite de dois minutos e devolva o resultado ao agente quando termina.

Computer use: o agente opera até o sistema sem integração

Toda empresa tem aquele sistema que não conversa com nada: o ERP antigo, o portal do fornecedor, a tela em que alguém digita os mesmos dados toda semana. O computer use, em disponibilidade geral desde maio de 2026, permite que o agente use o navegador e os aplicativos do Windows como uma pessoa usaria, clicando, escolhendo menus, digitando e lendo a tela.

Ele é movido por um modelo que combina visão e raciocínio, então se adapta quando a interface muda de lugar, e a tarefa é descrita em linguagem natural, sem escrever código. Os casos típicos são os de sempre na PME: entrada de dados, processamento de nota fiscal e extração de informação de um portal.

Como o agente passa a mexer numa máquina real, o controle vem junto. Dá para limitar em quais sites e aplicativos ele pode agir, exigir HTTPS, guardar as senhas em cofre (no armazenamento interno da plataforma ou no Azure Key Vault) e nomear uma pessoa para receber por e-mail o pedido de supervisão quando o modelo detecta uma instrução suspeita.

E o custo, porque aqui ele fica visível: cada passo do computer use consome 5 créditos do Copilot, ou 15 quando roda em modelo premium. Um preenchimento de formulário em quatro passos custa 20 créditos. Guarde esse número, a seção de licenciamento explica de onde ele sai.

Agentes que conversam entre si

O protocolo A2A, de agente para agente, está em disponibilidade geral desde abril de 2026: um agente se conecta a outros agentes e delega tarefas a eles. Na prática, a empresa monta uma porta de entrada única, um agente que recebe qualquer pedido e aciona o especialista certo, o do financeiro, o do atendimento, o do RH. Dá para ligar também agentes de dados do Microsoft Fabric.

Esse é o desenho de agentes e subagentes resolvendo processos de ponta a ponta que citamos no artigo anterior. A diferença é que agora ele é recurso oficial da plataforma, não arquitetura avançada reservada a projeto grande. Na nova experiência de criação, a conexão com outros agentes ainda está em versão prévia.

Governança: cada agente com identidade própria

Para quem decide, talvez a novidade mais importante não seja de produtividade, e sim de controle. Em versão prévia, cada agente pode receber automaticamente uma identidade própria no Microsoft Entra, uma espécie de crachá digital. Com ela, as permissões de conector, as políticas de acesso condicional e as regras de proteção de dados passam a valer por agente, e não em bloco.

Somam-se a isso o inventário de agentes, que permite ao administrador descobrir e auditar todos os agentes da organização pelo centro de administração, por API ou pelo Azure Resource Graph, e as avaliações, já em disponibilidade geral, que testam o agente com conjuntos de casos, inclusive conversas de vários turnos, antes e depois de publicar.

Isso ataca um problema que aparece rápido quando a adoção pega: cada área cria o seu agente e, em pouco tempo, ninguém sabe quantos existem, quem responde por cada um nem quanto consomem. Perguntas como quem é o dono deste agente, o que ele pode alterar e como ele se desliga ganharam resposta nativa na plataforma. Vale para o gasto também: é possível definir um teto mensal de consumo por agente no centro de administração do Power Platform.

A tabela abaixo resume as cinco novidades, o estágio de cada uma e o efeito na rotina da PME.

As novidades de 2026 e o efeito na PME
NovidadeO que é e em que estágioO que muda na sua empresa
Skills reutilizáveisPacotes de instruções em Markdown que se adicionam a vários agentes e se exportam como arquivoO padrão de trabalho vira ativo da empresa, não de um agente só
WorkflowsAutomação visual em que cada etapa raciocina e age, com teste e decisão humana embutidosProcesso longo automatizado sem perder o ponto de aprovação da pessoa
Computer useDisponibilidade geral desde maio de 2026: o agente opera navegador e aplicativos como uma pessoaAutomatiza até o sistema legado sem integração, com custo por passo
Protocolo A2ADisponibilidade geral desde abril de 2026: agentes conectados a agentes, com delegaçãoUma porta de entrada única aciona o especialista certo
Identidade por agenteVersão prévia no Microsoft Entra, com inventário e avaliações já disponíveisPermissão, acesso condicional e auditoria por agente, não em bloco

O motor por trás disso tudo mudou

Vale entender uma peça que não aparece na tela. Tudo o que você monta no Copilot Studio roda sobre um harness, o runtime que fica entre o seu desenho e o modelo de IA: é ele que decide quando chamar o modelo, o que enviar, como interpretar a resposta e qual ferramenta acionar.

Hoje são três. O harness do GitHub Copilot, anunciado em disponibilidade geral em 3 de agosto de 2026, é o mais capaz: recebe um objetivo, quebra em passos, chama as ferramentas certas, cria e edita arquivos do Word, Excel, PowerPoint e PDF e se recupera quando um passo falha. É ele que sustenta skills e memória. O harness padrão atende agentes por regra e fluxos previsíveis. O harness de chat estende o Microsoft 365 Copilot Chat com o conhecimento da sua empresa.

A escolha do harness muda o que dá para automatizar e, principalmente, como a conta chega no fim do mês. A tabela abaixo resume os três.

Os três harnesses e como cada um é cobrado
HarnessPara que serveComo é cobrado
GitHub CopilotProcessos complexos, com muitos passos, arquivos e pontos de decisãoPor uso, em créditos do Copilot, cobrando já na construção e nos testes
PadrãoAgentes por regra, conversas estruturadas e fluxos de agenteCréditos do Copilot pelas taxas por recurso, a partir da publicação
Chat do CopilotEstender o Microsoft 365 Copilot Chat com conhecimento internoPor consumo ou incluído na licença do Microsoft 365 Copilot

Quanto custa: como o Copilot Studio é cobrado

Aqui está a parte que costuma travar a decisão, e ela fica simples quando se entende a unidade de medida. O Copilot Studio não é cobrado por usuário. A moeda são os créditos do Copilot, que desde 1º de setembro de 2025 substituíram a antiga contagem de mensagens, sem mudança na quantidade por pacote nem na tarifa de consumo.

Vale separar duas contas que costumam se confundir. O Microsoft 365 Copilot, o assistente que aparece dentro do Word, do Outlook e do Teams, é cobrado por usuário: é um complemento empilhado sobre uma licença base do Microsoft 365 e, na versão Business, disponível para até 300 usuários com plano Business Basic, Standard ou Premium, o compromisso é anual, com cobrança mensal ou anual. O Copilot Studio, onde moram os agentes, é cobrado por uso. São produtos diferentes, com contas diferentes, e um não substitui o outro.

A licença de usuário do Copilot Studio, aquela que o administrador atribui a quem vai criar agentes, não tem custo. O que a empresa compra é capacidade, e há três caminhos: o pacote prepago, que entrega 25.000 créditos por mês e se renova a cada ciclo de cobrança; o consumo sob demanda, ligado a uma assinatura do Azure, em que se paga no fim do mês apenas o que foi usado; e o plano de pré-compra de um ano, com um pool de créditos usável nos produtos elegíveis.

Vale a nota fina: para atribuir a licença de usuário gratuita, o tenant precisa antes ter a assinatura prepaga de créditos. Sem ela, os caminhos são liberar os criadores pelo papel de autores do Copilot Studio no centro de administração do Power Platform, usar a licença do Microsoft 365 Copilot, ou a licença de avaliação, que cria e testa agentes, mas não publica.

Cada coisa que o agente faz tem um preço em créditos. A tabela abaixo traz as taxas principais publicadas pela Microsoft para os agentes do harness padrão.

Quanto consome cada tipo de evento do agente
Recurso do agenteCréditos do Copilot
Resposta clássica, escrita por você no desenho do agente1
Resposta generativa, criada pela IA a partir do conhecimento conectado2
Ação do agente: gatilho, raciocínio profundo, transição de tópico e computer use5 por ação (computer use: por passo)
Busca no grafo do tenant, com o conteúdo da empresa no Microsoft Graph10
Ações de fluxo de agente, a cada 100 ações13
Ferramentas de texto e IA generativa, a cada 10 respostas1 (básica), 15 (padrão) ou 100 (premium)
Processamento de conteúdo, por página8
Voz, por minuto de conversa10 (clássica), 35 (generativa) ou 75 (generativa premium)

Número solto não decide nada, então dois exemplos da própria documentação. Um agente de atendimento no site, com quatro respostas clássicas e duas generativas por conversa e 900 clientes por dia, consome cerca de 7.200 créditos por dia. Um agente interno que processa pedidos e executa quatro ações por pedido consome 20 créditos por pedido.

Se a sua empresa já tem Microsoft 365 Copilot, a conta muda bastante. No uso voltado ao próprio funcionário, com o agente operando sob a identidade autenticada de quem tem a licença, esses eventos não consomem créditos, dentro de limites de uso justo. Duas exceções merecem destaque: o computer use não entra nessa franquia, e o fluxo de agente só entra quando é o próprio agente que o chama. Fluxo do Power Automate continua no licenciamento do Power Automate, sem consumir crédito.

Por fim, o comportamento no limite, que é onde a conta dói. A capacidade é mensal e o crédito que sobra não passa para o mês seguinte. Ao atingir 125% da capacidade prepaga, os agentes personalizados são desativados e o administrador recebe o aviso; quando a capacidade acaba, novas execuções de fluxo de agente são bloqueadas, embora o agente siga respondendo o resto. Ligar o consumo sob demanda evita o bloqueio, porque o excedente vai para a assinatura do Azure.

A Microsoft publica um estimador oficial de consumo, que projeta os créditos por tipo de agente, volume de tráfego, orquestração, conhecimento e ferramentas. É o exercício que fazemos com o cliente antes de assinar qualquer coisa: primeiro a conta, depois o contrato.

O que precisa estar pronto antes do primeiro agente

Agente de IA não cria acesso novo. Ele enxerga o que a pessoa que o usa já podia enxergar. O efeito colateral é que ele torna fácil encontrar aquilo que estava esquecido numa pasta aberta demais. Por isso a arrumação das permissões vem antes da ativação, não depois do susto, e o checklist abaixo é o mínimo que revisamos com o cliente antes de ligar o primeiro agente.

Checklist mínimo antes de ativar
Antes de ligar o agenteO que isso evita
Exigir MFA para todos os usuáriosUma conta comprometida virar porta de entrada com cara de usuário legítimo
Revisar permissões em SharePoint, Teams e OneDriveO agente entregar em segundos um documento que nunca deveria estar ao alcance daquela pessoa
Validar rótulos de confidencialidade, DLP e retençãoInformação sensível circular sem marcação e sem controle de saída
Definir grupo piloto, dono do agente e critério de sucessoProjeto que começa por todo mundo ao mesmo tempo e não se mede

Quando o caso envolve computer use, some a isso a higiene da máquina: equipamento dedicado, conta com privilégio mínimo, lista de sites e aplicativos permitidos e senha guardada em cofre. O agente vai operar como um funcionário, então recebe o mesmo tratamento de um funcionário.

Um ponto que quase ninguém antecipa: o dado não some quando a licença sai. Prompt e resposta ficam guardados em pasta oculta da caixa de correio do usuário, sujeitos às políticas de retenção do Microsoft Purview e pesquisáveis por eDiscovery. Se a pessoa deixa a empresa e a conta é excluída, esse conteúdo vai para uma caixa inativa e continua alcançável por investigação. O processo de saída, portanto, trata licença, sessão, acesso aos agentes, permissão de autoria no Copilot Studio e retenção, nessa ordem.

O que isso muda para quem decide

O ritmo das novidades conta uma história: o Copilot Studio deixou de ser aposta e virou plataforma de trabalho. Os recursos que faltavam para operar com tranquilidade chegaram, da identidade por agente ao inventário, das avaliações de qualidade à aprovação humana nos fluxos.

Há um critério simples para não errar a escolha entre um e outro. Tarefa de conhecimento, como redigir, resumir e analisar, se resolve com o assistente dentro dos aplicativos. Processo que precisa ser executado, com roteamento, aprovação e escrita em outro sistema, pede agente. Confundir os dois é o que faz projeto de IA custar caro e entregar pouco.

Para a PME, o custo de esperar aumentou. Cada mês de fila é um mês em que a rotina repetitiva continua consumindo a equipe, enquanto quem começou cedo acumula processos rodando sozinhos. Começar pequeno, por um caso bem escolhido e com a conta de créditos feita antes, continua sendo o caminho; a diferença é que agora a plataforma amadureceu para acompanhar o crescimento.

É assim que a Memory conduz o trabalho: escolher o caso que se paga mais rápido, dimensionar o consumo esperado, cuidar do licenciamento e da ativação dentro do seu ambiente Microsoft, configurar os primeiros agentes com o seu time e sustentar o que entrou em produção.

Para acompanhar as próximas atualizações, a página oficial de novidades do Copilot Studio na Microsoft Learn segue como referência, e o anúncio do harness do GitHub Copilot no blog da Microsoft detalha o que mudou no motor da plataforma.

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